Bahia: De destino náutico mundial para capital dos piores portos do Brasil em apenas quatro anos!

Quem acompanhou o desenvolvimento da Bahia na área náutica no início dos anos 2000, pode ver uma série de interessantes ações, que resultaram numa posição invejável para a Bahia como destino náutico e o consequente aumento do interesse portuário para nossa capital.
Havia uma política agressiva nessa direção e isso era visível.
Entretanto com a troca de governo, muita coisa mudou. Assisti a demoradas reuniões na Secretaria de Indústria e Comercio, onde assuntos que eu já conhecia havia muito tempo, eram tratados como se fossem a última novidade do século. Tudo bem que na política o pai é quem cria, mas nesse caso muito alarde e pouco ou nada foi feito.
Hoje empresas de grande porte pressionam o governo para ampliar a capacidade dos portos, mas encalham na burocracia e no protecionismo de interesses políticos, que acabaram por estagnar os nossos já precários portos. É pior! Perdemos quase todos os eventos náuticos internacionais que projetavam o litoral do estado no exterior.
Resultado: O Pólo Naval da Bahia, que sempre foi o projeto mais divulgado do governo não vai acontecer. Na verdade, a exemplo do que aconteceu com algumas regatas internacionais conquistadas pela Bahia, o pólo naval vai pro Rio de Janeiro, e mais precisamente pra cidade de Maricá.
O pólo naval baiano teria investimentos de R$ 2 bilhões da iniciativa privada e deveria gerar mais de 10 mil postos de trabalho, mas foi bombardeado pelo rigor dos órgãos ambientais da Bahia, e pela falta de planejamento e habilidade no assunto, por parte da equipe do governador Jacques Wagner. O estado do Rio de Janeiro mais uma vez foi ágil, e ofereceu as condições para a implantação do pólo, e estes empregos vão ser gerados lá, no Rio de Janeiro.
Isso traz um atraso fenomenal para o nosso estado, por se tratar de um momento único no setor, que atrai empresas gigantes do mundo todo, gera sempre muitos empregos, e forma mão de obra na camada de base da população.
É lamentável.
O que eu não entendo é por que trabalha-se tanto para formar um novo pólo naval, enfrentando tantas dificuldades, sendo que já existe na Bahia uma empresa que trabalha na área há mais de quarenta anos, e já é especializada na construção e manutenção de grandes embarcações que é a Corema. Para mim já seria um grande ponto de partida. Este estaleiro está em meio a um projeto de ampliação, é uma empresa genuinamente baiana, e está absolutamente bem posicionada para produzir e manter grandes embarcações.
O fim do projeto do Pólo Naval baiano é uma lição para o governo Wagner, que anuncia projetos sem estar com a engenharia de implantação solucionada. Um projeto desta envergadura precisaria de uma ação vigorosa e coordenada, capitaneada pelo próprio governador, que trabalharia com a sua autoridade as possíveis dificuldades junto a órgãos ambientais mais radicais, ou propondo ações de neutralização, tão comuns em projetos deste porte. O que não falta é município carente no entorno da Baía de Todos os Santos.
A política de desenvolvimento da náutica vai pelo mesmo caminho. Nada se decide, muito papo e nenhuma ação efetiva, gastos desnecessários com contratações improdutivas, reuniões que dão em nada e o mandato, bem, este já está terminando.
Quem viver verá.
Eu confesso: estou bastante pessimista.
Tags: Jacques Wagner, Pólo Naval
25 de novembro de 2009 às 1:50
No mínimo parcial esse texto. Desconsidero.
25 de novembro de 2009 às 16:49
Antes os desacertos desse governos fossem somente no meio náutico. As pequenas embarcações a vela, os monotipos, estão penando tentando achar um lugar apropriado para guarda e não conseguem. Triste Bahia, em todos os sentidos.
26 de novembro de 2009 às 16:34
Olá Lucas. Obrigado por sua participação no nosso blog.
Ainda que você tenha considerado parcial, tenho a lhe dizer que infelizmente é a realidade.
Caso queira expor sua opinião, este espaço está aberto. Fique à vontade.
Um abraço!
Denis Peres
26 de novembro de 2009 às 16:35
Obrigado por sua participação!
Um grande abraço!
Denis Peres
1 de dezembro de 2009 às 17:16
Lastimavél!! Porém dizer que é um dos piores portos, não concordo, acabei de retornar de um cruzeiro (onde inclusive a bahia passa a ser o ponto de partida de cruzeiros de nível internacional) Passei pôr varios portos da costa nordestina, e não precisa nem se informar para perceber que o porto de SSA é o mais estruturado e conservado da costa nordestina. Podemos não estar a nível de Santos ou outros demais, mas do nordeste somos o melhor e mais estruturado, pude observar com olhos e informações. Então precisa ter mais cautela ou informar o leitor, pois “pior” não somos, mas para ser uma capital de nivel internacional precisamos melhorar muito. Grato.
1 de dezembro de 2009 às 17:18
Tem outra, destino náutico não gera tanto lucro quando rota de grandes cruzeiros e embarcações!!
1 de dezembro de 2009 às 17:20
Quem comentou só poderia ser paulista né??
6 de dezembro de 2009 às 13:36
Olá Victor!
Adoro a sua participação, porque afinal de contas, é pra isso que o Blog se presta. Para informar e provocar situações onde possa haver melhorias. Meu trabalho é nesta direção, além é claro, de ser um espaço democrático, que precisa realmente de gente como você que conteste e traga mais informação para nossos leitores.
Bem, é claro que sua observação está baseada no campo da estética, onde o Porto de Salvador, emoldurado pela cidade que é belíssima, fica muito interessante. Porém o nosso porto foi reclassificado pela última pesquisa do Ranking dos Portos Brasileiros, em 18º lugar, atrás de cidades muito menores, com economia infinitamente menores que a de nossa capital, a 3ª maior do país, onde evidentemente(é só olhar a classificação do ranking), está completamente inadequada com o crescimento de nossa economia. Não consegue acompanhar o crescimento do PIB.
Quanto a sua obervação de que não se pode comparar com o porto de Santos, por exemplo, só vem demonstrar que sua opinião está esquivocada, já que este é o penúltimo colocado no rankig dos portos Brasileiros, causando inclusive a indignação dos meios de comunicação de São Paulo, como poderá comprovar na nota divulgada pela Agência Estado – do Jornal o Estado de São Paulo.
Maior porto da América Latina e responsável por 26% do comércio exterior do País, Santos é o principal retrato das deficiências do sistema portuário brasileiro.
AGÊNCIA ESTADO - Apesar das modernas instalações nos terminais privados, suas fragilidades no acesso terrestre e marítimo lhe renderam o título de quarto pior porto do Brasil, com nota 5,7, segundoranking elaborado pelo Centro de Logística da Coppead/UFRJ envolvendo cerca de 300 empresas exportadoras, armadores e agências marítimas. Abaixo de Santos ficaram os portos de Fortaleza, Vitória e Salvador.
A liderança do ranking ficou com o terminal marítimo Ponta da Madeira, no Maranhão, da Companhia Vale do Rio Doce. O porto, que obteve nota 9,3, é o único do País capaz de carregar totalmente o maior graneleiro do mundo, o Berge Stahl, de bandeira norueguesa, com capacidade para transportar 364.767 toneladas. Isso porque tem um calado entre 21 (Pier 1) e 23 (Pier 3) metros, o que o coloca entre os portos de maior profundidade do mundo.
Além de minérios, o terminal também exporta soja e cargas gerais. Para fazer jus ao título de melhor do País, o porto receberá investimentos de peso na expansão da capacidade, afirma o diretor de Portos da Vale, Humberto Freitas. Segundo ele, no fim deste ano a capacidade doterminal deve atingir 100 milhões de toneladas. Em dois anos, subirá para 130 milhões e, em 2011, para 200 milhões. O volume de investimentos neste ano é de US$ 337 milhões. Mas o valor inclui a expansão da Estrada de Ferro Carajás.
Para comparação, o calado do porto de Santos é de 12 metros no canal interno e 14 metros no canal de navegação externo. A CompanhiaDocas do Estado de São Paulo (Codesp), administradora do porto, tem um projeto que prevê elevar essas profundidades para 13 metros e 15 metros, respectivamente. A empresa espera iniciar os trabalhos de aprofundamento para 15 metros em 2008.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
As informações coletadas para definir a posição de importância de um porto vão muito além de sua capacidade de receber navios de cruzeiro, como você citou. Também é impossível separar – Destino náutico de navios de cruzeiro – É a mesma coisa!
O que dá mais dinheiro pro estado e pro município? Os dois, porque são a mesma coisa.
Navios de cruzeiro não irão para destinos que não sejam náuticos. É preciso que seja turisticamente desenvolvido para que os navios empreendam rota. Antonina por exemplo no Paraná, não recebe nenhum navio de cruzeiro, mas é um dos melhores Portos do Brasil.
Entendeu a diferença?
Se Salvador quer receber mais e mais pessoas pelo mar, tem que começar de novo tudo o que já foi praticado no início dos anos 90. Precisa primeiro acreditar que aqui chegam muito mais turistas pelo mar do que por qualquer outro meio de transporte. Por exemplo: O Navio “Melody”, um dos menores navios da empresa marítima MSC, transporta de uma só vez 1.600 passageiros. Para a empresa aérea TAM, transportar essa gente toda, em seu maior avião o MD-11 na sua maior versão, teria que dispor de 4 aeronaves, e a gente sabe que ela não pode deixar essa quantidade de aviões exclusivamente parada em Salvador aguardando o grupo passear.
Depois que chegam ao Porto de Salvador, o turista recebe um atendimento digno de um país de terceiro mundo. Enquanto no aeroporto, displays coloridos e salas climatizadas recebem os passageiros, no bairro do Comércio uma massa de miseráveis, pedintes e motoristas de taxis e Vans, absolutamente despreparados, afiam suas “lâminas” para “sangrar” os mais desavisados em busca de um simples passeio ao mercado Modelo.
Nenhuma sinalização terrestre, um cheiro insuportável de urina, falta de segurança e um bairro desestruturado é o que aguarda nossos queridos visitantes.
É claro que não são apenas estas as dificuldades. Em entrevista concedida ao blog “Porto Gente”, especializado em atividade portuária, o conselheiro da Codeba Joaquim de Souza ilustrou as principais dificuldades do Porto de Salvador, levando-se em conta apenas os aspectos operacionais.
Veja este trecho da entrevista:
“O usuário dos portos da Bahia sofre com a infra-instrutora?
Joaquim Souza – Claro, e como sofre! Afinal de contas, a Bahia ostenta a posição de sexta economia do País, além de responder por mais de 60% das exportações do Nordeste. Todavia, em se tratando de carga de contêiner, os usuários contam, apenas, com um único berço no Porto de Salvador. É muito pouco.
Salvador está mesmo estrangulado e não tem como crescer?
Joaquim Souza – O estrangulamento é culpa da falta de iniciativa dos gestores da Codeba, jamais da falta de condições naturais. O Porto de Salvador pode sim ser ampliado no sentido da Ponta Norte em condições de receber, seguramente, mais três berços com 350 metros.”
O ranking dos portos do Brasil foi analisado através da metodologia que permitisse a análise, da forma mais detalhada possível, de várias características dos portos brasileiros. Analisaram-se 24 portos envolvidos com o comércio externo do Brasil e, com isso foi possível a classificação de cada porto, a saber:
A - pela sua área geográfica de influência
B - pelo seu enquadramento no ranking dos portos brasileiros, segundo a pontuação obtida pela soma de sete variáveis
C - pela participação do valor de seu comércio externo no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro
D - pelos principais produtos transacionados, por setores de atividade industrial
E - pelo seu porte
F - pelo atendimento a características específicas de âmbitos nacional, regional ou local
G - pelo valor do comércio internacional de cada unidade da Federação (UF) em cada porto analisado
H - pelo peso movimentado e valor agregado médio de cada porto(dólares/tonelada). Foram estudados todos os portos que apresentaram movimento de produtos exportados e importados, movimento esse com registro na Secretaria de ComércioExterior (Secex):
O Ranking é o seguinte:
1 – Antonina
2 – Aracaju
3 – Aratu
4 – Belém
5 – Fortaleza
6 – Imbituba
7 – Itajaí
8 - João Pessoa
9 – Maceió
10 – Manaus
11 – Natal
12- Niterói
13 – Paranaguá
14 – Pecém
15 – Recife
16 - Rio de Janeiro
17 - Rio Grande
18 – Salvador
19 - São Francisco do Sul
20 - São Luís
21 – Sepetiba
22 – Suape
23 - Santos
24 - Vitória.
Como você pode ver Vitor, os portos condenados por você, que estão localizados no Nordeste do país, estão muito melhor classificados, portanto melhor aproveitados, do que o de Salvador, que entre os piores do Brasil, levando-se em conta que São Francisco do Sul é uma pequena cidade de Santa Catarina, São Luís é uma capital inexpressiva economicamente no cenário brasileiro, Suape estar passando por uma reforma monstruosa e deverá ser um dos grandes portos do Brasil, e Sepetiba seja apenas um bairro da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, cercado pelos bairros de Santa Cruz e Guaratiba, na super poluída Baía de Sepetiba, sem nenhum atributo turístico e uma população de aproximadamente de 40.000 habitantes moradores de comunidades pobres, estamos realmente muito mal servidos de Porto.
Ao menos o futuro do Porto de Aratu é bastante promissor, já que anda avançado um projeto de ampliação e modernização para aquele porto que:
1 - está longe de um centro urbano
2 - próximo à BR 324
3 - é servido de linha férrea ligando-o ao Pólo de Camaçarí
4 - dispõe de grande área para ampliação e criação de retro porto para operações de cargas pesadas e petroquímicas.
5 – Já está muito bem classificado no ranking, ocupando a terceira posição.
Leve tudo isso em conta, quando for qualificar um porto, e você verá o quanto ainda precisamos e podemos crescer.
Um abraço!
Denis Peres
12 de dezembro de 2009 às 2:27
Amei esse site! Maravilhoso! Eu amo o mar, nasci tão longe dele, mais hoje estou perto e nem sei como devo fazer pra aproveitar mais de todo seu encantamento e beleza. Amei! Agora sei por onde começar, com esse site eu me encontrei. Bjs!